redação civil


(baseado em conversa com uma amiga que me disse: "tu não tá nem lá nem cá, não sei te categorizar".)

Bem, nem eu...

Sou ortodoxa para algumas coisas e heterodoxa para uma dúzia de outras. All Star bom para mim é All Star bem limpinho. Combino rosa com verde, vermelho com roxo. Prefiro praia em dias frios, casamentos em dia de semana, vinho em vez de flores, livros em vez de chocolate.

Dentre minhas maiores alegrias na vida: ter minha casa, falar francês, caminhar com meu próprio cão. Ainda falta ver neve cair, apreciar um tango na Argentina, gravar uma música, conhecer a Europa, andar a cavalo.

Sou vaidosa e sou dada a várias futilidades, contanto que eu não tenha que torná-las assunto. Eu adorar sapatos, esmaltes, tons de tinta de cabelo etc. e adorar falar sobre isso são coisas diferentes.

Adoro o tempo e sua passagem. Até hoje, tanto pessoal quanto fisicamente, só tem me feito bem.

Gosto de viajar. E de caminhar livre pelas ruas das cidades ao invés de passar o tempo todo encerrada em lojas, points, "atrações". Gosto de andar embevecida pela arquitetura dos prédios, pela história que a cidade me conta. E lugares que tenham árvores! Eu sou perdidamente apaixonada por árvores.

Adoro objetos com história. Qualquer objeto, desde uma relíquia até guardanapos de papel.

Faço coleções. Coleciono lápis, coasters roubados de botecos, tickets de cinema, vinis.

Gosto de visitar igrejas. Tenho pânico de não possuir o controle sobre as coisas, mas me conforta a opressão de uma igreja - quanto maior, menor e melhor me sinto.

Já aprendi que há pessoas somente chatas, mas que também há pessoas chatas adoráveis. Grata diferença. ;)

Em certa ocasião, eu estava em um museu de arte contemporânea com um amigo, que percebeu e comentou que, perante todas as obras que me impactavam, eu colocava a mão sobre a região do estômago e ali a deixava enquanto fosse necessário ficar contemplando.

Choro. E como choro. Cinema, ensaios de Thoreau, noturnos de Chopin, performance de ballet clássico no Guarany. As árvores balançando na janela da minha sala, um senhor empurrando uma carrocinha na rua, pores-do-sol que avermelham o fim de tarde. Meus olhos vivem marejados.

(mas eu sempre vou negar, dizendo que é "coceira no olho".)

E se eu tivesse que eleger um horário para mim, meus dias seriam eternos fins de tarde.

Acho ridículo esses exageros com o passado. Ou as pessoas o exaltam ou o ojerizam. Meu passado é bonito, válido, acrescentador. Tudo e todos têm seu valor. Pratico o meu luto no seu devido tempo e depois sigo em frente. Escolho muito bem e entendo que tudo tem começo-meio-fim. Lido com isso com naturalidade.

Gosto de privacidade, dou a impressão errada por sorrir e falar bastante. Odeio a forma como minha voz se projeta, sonora, poderosa e, muitas vezes, agressiva. Queria ter uma voz low-profile, então acho que inconscientemente acabo compensando no meu comportamento. Entre os "meus", sou informal e muitas vezes até efusiva. Entre quem não conheço, evito pessoas invasivas, que me tratem e toquem como se tivéssemos intimidade. Sou avessa à chamada "calorosidade brasileira": não sou uma metralhadora de perguntas e respostas, não saio distribuindo beijos e toques ao invés de cumprimentos. Minha mãe me acha antipática.

Eu adoro tentar entender e refletir sobre mim mesma e sobre as pessoas. Mas travo quando tenho que conversar sobre mim e como me sinto. T r a v o.

Adoro quem sorri só com os lábios. Se sorrir com os lábios e os olhos, ganhará meu coração. Não gosto de homem "atirado", aquele que se torna bobo. E não tenho paciência para "trovas" no msn. Gosto de me sentir à vontade para lançar um olhar, um convite, um comentário, mas tenho um lado machista bem desenvolvido - gosto de ser convidada, procurada, ser alvo de carinho.

Dois acessórios que praticamente fazem parte do meu corpo: iPod e óculos de sol. Ademais das vantagens conhecidas pelo senso comum, são eles que me protegem das pessoas.

Adoro ganhar livros de qualquer tipo, mas acho mais bonito se for usado. Se pertencia à pessoa que me deu, então, acho lindo. Há quem me ache estranha por isso.

Normalmente me encontro num limbo entre o underground e o mainstream. E, quase sempre, sei ser feliz assim.

2 Comments:

  1. Gisele said...
    Me encontrei no paragrafo sobre o passado. Até a última sentença..tento lidar bem com isso, mas nem sempre consigo.

    :)
    Michele Moura said...
    Me identifiquei com o parágrafo sobre ganhar livros usados.

    Acho tão "frio" receber um livro com o plástico protetor intacto. Sei lá, uma dedicatória, por mínima que fosse, na folha de rosto já faria toda a diferença...

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